Em 22 de fevereiro deste ano de 2019, o IBGE apresentou o seguinte dado: o desemprego atingiu nível recorde em 13 capitais de estados brasileiros em 2018.

São elas: Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Belém (PA), Macapá (AP), Teresina (PI), João Pessoa (11,9), Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).

Além delas, Salvador também viu o desemprego crescer, mas o recorde ainda é de 2015.

Porém, os números são um escândalo: acima de 16% de desempregados em Recife, Maceió, Aracaju e Salvador.

Entre 13% e 14% de desempregados em Porto Velho, Belém e Teresina.

Destaques desonrosos para Macapá, com 18,2% de desemprego, e duas outras cidades onde o desemprego até caiu em relação a 2017, mas continua em níveis perigosíssimos. Estou falando de Manaus (18,1%) e São Luís (16,4%).

As duas cidades mais ricas do país ficaram assim: São Paulo tem 14,2% de desempregados, e o Rio tem 12,6%.

Veja abaixo a tabela do IBGE com todas as capitais.

Apenas o Centro-Oeste não apresentou alta no desemprego, o que confirma a concentração da população nacional nos centros urbanos ao longo do litoral, e a dependência da economia em relação ao setor agropecuário.

A conclusão é que a queda no desemprego nacional, verificada em 2018 (passou de 12,7% em 2017 para 12,3% em2018) não se refletiu para os maiores contingentes populacionais do país.

Caso Ford, exemplo ilustrativo

Curiosamente, a Ford de São Bernardo do Campo anunciou o fechamento de sua fábrica de carros e caminhões naquela cidade dias antes da PNAD do IBGE que apresentou esta situação. Ou seja, o número deverá resistir muito ainda antes de alguma recuperação do nível do emprego acontecer.

Mais curiosamente ainda, o segmento de caminhões teve forte alta na produção no ano passado. As marcas que competem com a Ford no país (todas multinacionais) anunciaram um bom número de unidades vendidas e emplacadas, mas as exportações continuaram sendo decisivas para todas elas.

O que mostra que a recuperação econômica é insuficiente para reverter um processo de perda de base industrial, seja de propriedade nacional ou internacional instalada no território nacional. (General Motors já ameaçou fazer o mesmo que a Ford).

Como a produção industrial de bens de capital e duráveis depende de ativação de setores consumidores na economia, é lícito supor que a recuperação verificada recentemente poderá ser mais um “voo de galinha” de uma economia em franco processo de desindustrialização.

Processo este que já não deveria surpreender ninguém: com o consistente enfraquecimento da demanda consumidora nos grandes centros, e por consequência o enfraquecimento do circuito produtor não vinculado à exportação, é natural que a derrocada da renda nas cidades acentue a derrocada da produção industrial.

Em casos assim, é previsível que multinacionais cogitem deixar o país: a exportação que fazem a partir do Brasil, empregando mão de obra local, pode ser feita a partir de outras unidades, onde o custo de produção seja menor e a infraestrutura seja melhor.

A manutenção da indústria multinacional no país e sua contribuição para o nível do emprego depende de reativação do mercado consumidor interno, hoje deprimido e sem perspectiva de política de desenvolvimento que o faça renascer.

Por Fausto Oliveira